Quem ler a imprensa regional deve ficar a coçar a cabeça: afinal, o risco de serem introduzidas portagens na Via do Infante (A22) é responsabilidade de quem? Dirão alguns que são critérios jornalísticos, mas pergunta-se: podem tais critérios baralhar a verdade dos factos? Pelos vistos, sim.
E a verdade dos factos é muito simples: só o PCP se mantém coerente com aquilo que sempre defendeu – o não às portagens. Nada se alterou que justifique a sua introdução. Mais, se alguma se alterou foi o agravamento da situação social no Algarve, a região que maior aumento do desemprego tem vindo a registar. Foi o PCP que no início deste ano questionou o Governo sobre se tinha intenções de introduzir portagens na Via do Infante e foi respondido que não.
Noutro pólo estão o PS, PSD e CDS-PP que juntos chumbaram o projecto do PCP que propunha a revogação das portagens. Mais, não só chumbaram o projecto do PCP, como viabilizaram outro que consagra o princípio da universalidade na introdução de portagens.
O PS e o PSD lá continuam a cozinhar a sua introdução generalizada, pretendendo a introdução de uns critérios que, no caso do Algarve, só por manifesta tontice têm cabimento.
Eis a verdade dos factos! Deveria ser a partir desta verdade que o desenvolvimento noticioso deveria ser feito, dando corpo aos diferentes posicionamentos. Mas como já foi referido, o tratamento é outro, acabando por obscurecer as diferentes responsabilidades. A cereja em cima do bolo é atingida com aqueles artigos sobre os políticos, a classe política, a conversa do são todos iguais. Assim se absolvem os responsáveis, se reabilitam os culposos e se ignoram os coerentes.
Importa também que se saiba que Passos Coelho foi o único a votar contra uma moção contra as portagens na Assembleia Municipal a que preside. Isto tem o interesse de pôr em devido relevo o posicionamento do presidente do PSD. Por isso temos dito que Macário ou Mendes Bota podem ter as posições que entenderem, mas elas não correspondem ao posicionamento do PSD. Tal como Vítor Neto ou Miguel Freitas podem ter o posicionamento que entenderem, mas esse não é o posicionamento do PS/Sócrates.
Do ponto de vista do tratamento jornalístico, acontece que sobreleva as posições destes dirigentes partidários e é apagada a posição dos seus partidos. Cria-se assim uma espécie de Sol na Eira e Chuva no Nabal.
Esta é uma prática corrente, em que os partidos com responsabilidades pela grave situação regional são branqueados pelos posicionamentos que nada determinam das estruturas regionais, até ao dia em que os algarvios resolvam dizer: chega de brincar com a nossa paciência.
* Responsável da DORAL / PCP























