 |
|
Quem percorre cidades ou folheia roteiros interroga-se sobre a origem dos topónimos que encontra, mas nem sempre vê satisfeita essa sua curiosidade.
Foi para preencher em parte essa lacuna que se coligiram estas notas, que dão a conhecer um pouco sobre personagens e factos que deram nome a arruamentos da capital do Algarve, aglomerado urbano antiquíssimo que tem passado por muitas alterações provocadas pelo homem ou pela acção de terramotos e incêndios.
A malha urbana alterou-se, as ruas foram-se sucedendo e os nomes também, ainda que muitas vezes na memória do povo coexistam as designações antigas e modernas que referiremos sempre que possível.
As omissões que os leitores verificarão ficam a dever-se ao facto de não termos encontrado explicação plausível ou porque as denominações são óbvias.
De qualquer forma, ficaremos muito satisfeitos se este trabalho pode servir aos leitores para iniciarem uma investigação pessoal que melhore substancialmente estas notas despretensiosas.
Aliás, muitos dos topónimos repetem-se em muitas outras localidades algarvias.
Comecemos então:
Abegoaria – Designação ligada à existência de oficinas de carruagens, estabelecimentos que praticamente já não existem, pois as “carruagens” são de tipo bem diferente.
Trata-se de uma zona alta da cidade, facto que contribuiu para que perto se tenha estabelecido a torre da Atalaia, que, com as de Santo António do Alto e do Alto Rodes, integrava, do lado de terra, o sistema defensivo da cidade. Anteriores designações: Rocio e Alto de S. Sebastião.
Abel Viana (Abel Gonçalves Martins Viana, n.1896) – Professor primário, natural de Viana do Castelo, empreendeu notáveis trabalhos de arqueologia e historiografia do Algarve, onde foi inspector do ensino primário (1933/1938), do Minho, bacia do Vouga, Elvas e Baixo Alentejo.
Foi assíduo colaborador da imprensa regional, onde divulgou grande número de trabalhos sobre jazigos do Paleolítico no vale do Guadiana e na costa algarvia, o cemitério luso-romano do Lethes, as necrópoles megalíticas das Caldas de Monchique e contributos para localização de Ossonoba, com base em escavações no Largo da Sé.
Participou em numerosos congressos no país e no estrangeiro e deixou mais de trezentas publicações.
Aboim Ascensão (Rodrigo António Aboim Ascensão, 1859/1930) – Benemérito, natural de Faro, foi o fundador da Associação Protectora da Primeira Infância, com vários lactários em Lisboa, que reconhecida lhe erigiu um busto e deu o seu nome a uma rua do Campo Grande.
Também em Faro, onde fundou o “Refúgio Aboim Ascensão”, é evocado através de um monumento no Largo de S. Sebastião.
Actor Nascimento Fernandes (Manuel Fernandes do Nascimento, 1881/1955) – Famoso actor teatral natural de Faro. Inicialmente frequentou a Faculdade de Medicina que cedo trocou pela vida artística, ingressando na Companhia do Teatro Apolo, onde as suas qualidades excepcionais foram logo reconhecidas. Foi o introdutor em Portugal do género bufo, em que a expressão e as mãos representam mais do que as palavras.
Adelino Amaro da Costa (1943/1980) – Político e engenheiro que, com Freitas do Amaral e Basílio Horta, fundou o CDS, de que foi secretário-geral e Deputado.
Ministro da Defesa no VI Governo Constitucional (AD), morreu em 4 de Dezembro de 1980, na queda do avião em que também faleceu o primeiro-ministro Francisco de Sá Carneiro.
Afonso III (1210/1279) – Rei de Portugal, segundo filho de D. Afonso II.
Em 1246, quando D. Sancho II foi deposto, D. Afonso foi nomeado “visitador, curador e defensor do reino”, sendo aclamado rei, em 1248, após a morte do irmão.
Concluiu a conquista do Algarve com a tomada de Faro (28 de Março de 1249), operação posta em causa por Afonso X de Castela, o que atrasou até 1266 a concessão do foral a Faro.
Na Praça D. Afonso III (anteriormente Largo das Freiras e Terreiro das Freiras) situa-se um dos melhores exemplares algarvios do Renascimento – o Convento de Nossa Senhora da Assunção, onde funciona o Museu Arqueológico e Lapidar Infante D. Henrique.
Iniciadas em 1519 por D. Leonor, mulher de D. Manuel, as obras foram concluídas em 1563 por D. Catarina, mulher de D. João III, embora as freiras Clarissas ali se instalassem em1541.
A vida conventual terminou em 1834, por virtude da legislação liberal, e o convento ficou ao abandono até 1860, data em que, durante quase cem anos foi fábrica de cortiça.
Comprado pela Câmara, em 1964, foi restaurado e destinado às suas funções actuais.
* Lic. em Sociologia
|