Surpreendem-me sempre com as coisas que se dizem à volta das chefias e das lideranças, nas organizações ou nos governos. Confesso, desde logo, que nunca fui chefe e não tenho, por isso, a experiência mais completa sobre o assunto. Nem sou nenhum especialista na temática, mas ainda assim parece-me que há coisas tão evidentes que não entendo tamanho desvio.
Há uns tempos disse-me um duque de paus que a pior coisa com que tinha de lidar na sua função como chefe eram as pessoas. Desculpem a minha ignorância, mas esse não é, por si, a sua principal função? Para que a minha ignorância tenha, ao menos, alguma razão de ser, carece o texto de uma definição do termo, isto é, da que entendo ser correcta.
Chefe – Profissional cuja função passa por orientar e organizar o trabalho de todos os colegas que de si possam depender hierarquicamente dentro de determinada organização.
Recentemente li um comentário de um indivíduo (que pela afinidade de pensamento deve ser parente do duque acima lembrado), sobre os prémios de gestão na função pública (mais concretamente sobre o facto de se pretender que a atribuição destes prémios passe a depender também da avaliação que os colaboradores fazem das suas chefias) e que expressava a sua indignação pela impossibilidade dum subordinado gostar do patrão... quando para os empregados os patrões são sempre maus...
Tenho para mim, que um chefe que não saiba envolver os colaboradores na sua visão, com base no mérito, respeito, exemplo e equidade, não é bom chefe (ponto final) E também duvido que, não o conseguindo, venha a alcançar quaisquer resultados organizacionais que mereçam a distinção em causa.
Chefe é chefe porque chefes acima assim o deliberaram. Irrita-me porém, a incapacidade de quem decide decidir bem... pois será assim tão difícil escolher um profissional com capacidade de liderança? Mas o problema das más chefias quer no público, quer no privado, cabe também no problema dos maus profissionais. É tudo uma questão de perspectiva. Há pessoas mais importantes que outras numa organização? Não. Há funções mais ou menos dispensáveis? Sim, claro. Mas todas as partes desempenham tarefas importantes para a conclusão do todo. As pessoas têm que se comprometer com as suas funções e é por aqui que há, sem dúvida, pessoas menos insubstituíveis que outras.
Nos tempos que correm, precisamos de modelos, esperança e boas lideranças, que não só nos apontem o caminho certo a percorrer, mas que o saibam fazer com humildade, ambição e valores partilhados. Precisamos de pessoas que nos inspirem, que nos façam agir sem baixar os braços ou deixar de intervir, isto é, não deixar de questionar, exigir os porquês (dizem que o bom líder é aquele que se faz rodear dos seus maiores críticos).
O chefe que não for capaz de estimular e mobilizar as pessoas face aos objectivos que pretende atingir para o seu serviço ou, porque não falar, para o País, torna-se num Zé Banana, de quem todos falam e conspiram, mas que no final de cada intervalo, o medo ou outros sentimentos de frustração, como o comodismo, o falso vestir a camisola, o atropelar os outros para conseguir alguma coisa, ou o fantástico sentido minimalista, nos deixa simplesmente imóveis e mudos... Falamos, falamos, falamos, mas não fazemos nada. Quando fazemos esquecemos o que dissemos antes.
Como mudar isto? Para mim o principal é nunca deixar de acreditar que podemos mudar e gerar a mudança. Depois é ir semeando.
* Formador de Marketing e Comunicação / Worklovers

























